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A importância do tratamento funcional pós AVC

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17/10/16
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A importância do tratamento funcional pós AVC

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) – também conhecido como derrame cerebral acomete mais de 16 milhões de pessoas, gerando mais de 6 milhões de óbitos e 5 milhões de casos de incapacidade por ano. Diante do grande índice de sequelados, tão importante quanto prevenir o AVC é o tratamento das suas consequências, cujo tempo de início, permanência e qualidade são fundamentais para a melhor reintegração do indivíduo às suas funções e ao convívio social.

Distúrbios de linguagem, memória e dos movimentos são as consequências mais frequentes nos indivíduos que sofreram um AVC.  Ainda que recuperem alguma função motora, com o tempo é comum que desenvolvam espasticidade – cerca de 20% após 3 meses e 38% após 12 meses. A condição limita os movimentos, principalmente de braços e pernas, devido a grande rigidez muscular e dificuldade de relaxamento (contratura).

A restrição dos movimentos e a possibilidade de deformidades osteoarticulares geradas pela sequela afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes, pois diminuem radicalmente sua autonomia para realizar atividades simples, como escovar os dentes, pentear os cabelos ou segurar um copo.

Não por acaso, este tipo de sequela foi apontada como a mais incapacitante e impactante para a qualidade de vida por 42% de 810 pacientes de espasticidade em pesquisa realizada em 31 países. Postura anormal, dor ou incapacidade de dormir também são as condições que mais incomodam para 34,5% deles e as limitações nas atividades da vida diária, como tomar banho, vestir-se, comer ou cortar as unhas, aparecem em 23,5% dos casos.

O tratamento deve ser iniciado tão logo o paciente tenha condições, já na UTI hospitalar, e deve envolver equipe multidisciplinar. As opções terapêuticas variam entre medicações orais, órteses, tratamento postural e aplicação da toxina botulínica A.

No caso específico do tratamento da espasticidade e da contratura, o tratamento com a toxina botulínica A* age no músculo injetado, relaxando-o e possibilitando devolver temporariamente a mobilidade ao paciente. Com o músculo relaxado, o fisioterapeuta consegue atuar e evoluir com o tratamento, de forma que o paciente realize movimentos antes impossibilitados.

A aplicação da toxina na somatória do tratamento multidisciplinar possibilita que os profissionais de saúde alcancem bons resultados na reabilitação de pacientes pós-AVC, como a melhora na movimentação voluntária do membro afetado e das atividades funcionais, além de diminuir a dor causada pela rigidez do músculo. O objetivo primordial do tratamento é que o paciente retome suas atividades diárias da forma mais independente possível.

Dra. Luciana Neves
Médica Neurologista

 

Portal Brasil.http://www.brasil.gov.br/saude/2012/04/acidente-vascular-cerebral-avc. Acesso em setembro de 2014.

Wissel J, Ward A, Erztgaard P, Bensmail D, Hecht M, Lejeune T, Schnider P. European consensus table on the use of botulinum toxin type A in adult pasticity. Rehabil Med 2009;41:13-25. 

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