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O que é Epilepsia

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17/10/16
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O que é Epilepsia

É uma alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral sem causas secundárias, como febre, drogas ou distúrbios metabólicos (como hipoglicemia). Através dessa alteração, uma região cerebral emite sinais dissonantes e até caóticos que podem permanecer nesse local (crises focais) ou propagar-se para regiões vizinhas, por vezes envolvendo todo o cérebro (crises generalizadas). Isso diferencia diversos tipos de crises, tornando-as mais evidentes ou não, o que não as torna mais ou menos graves.

 

Tipos de crises

Conforme já mencionado, há diversos tipos de crises. dentre os tipos mais comuns estão as crises parciais simples, nas quais o paciente apresenta sensações estranhas pelo corpo, por vezes com mal estar na região do estômago, alucinações, sensações de estar em outro lugar ou em outra atividade, até mesmo desenvolver movimentos estranhos e descontrolados em uma parte restrita do corpo. Este tipo de crise pode evoluir para crises parciais complexas, nas quais o paciente perde a consciência: ainda que mantenha olhos abertos ou mesmo pareça estar interagindo, com palavras compreensíveis, ele não responde adequadamente aos estímulos, nota-se muito frequentemente o automatismo desses gestos com a repetição dos mesmos. Após um episódio de crise parcial complexa, que dura segundos ou no máximo poucos minutos, o paciente apresenta um estado confusional, acompanhado de mal estar e déficit de concentração.  

As crises de ausência constituem num quadro em que a pessoa apenas interrompe subitamente uma atividade, como se tivesse “puxado a tomada”, muitas vezes com piscamento ininterrupto dos olhos. é uma crise com duração também muito limitada e, ao final da mesma, o paciente simplesmente volta à atividade de onde parou, como se nada tivesse acontecido.

Em crises tônico-clônicas, o paciente primeiro perde a consciência frequentemente acompanhada de um grito forte, e cai violentamente com o corpo rígido e hiperextendido, seguido de contrações violentas ou movimentos que se assemelham a tremores. nessas crises, também há um retorno parcial do nível de consciência e um estado confusional semelhante ao experimentado nas crises parciais complexas.

Há diversos outros tipos de crises.

Independente de sua classificação, se as crises durarem mais de 5 minutos sem recuperação mesmo que parcial do indivíduo, elas podem oferecer sérios riscos à sua integridade cerebral.

 

O que causa?

Há importante relação com diversos fatores, dentre eles: traumatismo cranioencefálico, recentes ou não; distúrbios na gravidez ou no parto; intoxicações crônicas; tumores; infecções; síndromes neurológicas ou genéticas que acompanham a epilepsia dentre seus fatores; etc. É comum a não detecção da causa de epilepsia, definindo-a como criptogênica.

 

Diagnóstico

São ferramentas importantes ao diagnóstico de epilepsia: eletroencefalograma, tomografia computadorizada de crânio e ressonância magnética de crânio. Entretanto, a normalidade nesses exames não exclui tal diagnóstico. É, portanto, essencial uma história clínica rica em detalhes para se chegar de maneira precisa a esse diagnóstico.

É comum o paciente não se lembrar da sua crise ou mesmo transmitir relatos imprecisos. Portanto, o bom relato das crises costuma vir de quem as presencia, preferencialmente mais de uma vez.

A importância de um bom diagnóstico de epilepsia envolve também a identificação do tipo de crise para, assim, nortear um tratamento mais adequado para esta doença.

 

Tratamento

A importância do tratamento precoce envolve a prevenção dos danos físicos e sociais comuns aos pacientes com epilepsia, independente de sua idade.

O tratamento de primeira escolha continuam sendo as drogas antiepilépticas. Apesar de seus efeitos colaterais, são a maneira mais segura de se evitarem as crises e, com a modernização das mesmas, acançaram-se condições de melhora na qualidade de vida com a diminuição dos efeitos colaterais, embora não se deva deixar de priorizar o tratamento mais seguro e eficaz.

Existem outras alternativas de tratamento, embora todas elas envolvam o uso concomitante das drogas antiepilépticas em alguma etapa. Dentre eles, destaca-se a cirurgia, que é escolhida em casos de difícil controle com medicamento e com segurança ao procedimento.

 

Recomendações

É importante para o paciente com epilepsia evitar bebidas alcoólicas, manter sono regular, uso regular das medicações, alertar o médico de novos tratamentos a serem associados ao da epilepsia, planejamento familiar (essencialmente na questão do momento de uma mulher com epilepsia ter filhos), seguir as orientações do seu neurologista quanto a atividades físicas ou lazer.

 

O que fazer ao se presenciar uma crise?

  • É essencial zelar pela integridade física do paciente.
  • Retire de sua proximidade objetos que possam feri-lo, afaste-o de móveis ou qualquer outra estrutura rígida;
  • Mantenha-o confortável, afrouxe suas roupas, proteja a cabeça, se possível com um travesseiro ou outro objeto acolchoado;
  • Mantenha as vias aéreas livres;
  • Jamais introduza o dedo na boca do paciente;
  • Se a duração da crise não exceder 5 minutos e houver o conhecimento de que o paciente apresenta epilepsia, não é necessário buscar auxílio médico, do contrário, o paciente deverá ser encaminhado a um serviço de emergência.
  • Lembre-se que, após a crise, o paciente poderá ficar desorientado ou mesmo sonolento.
  • Caso não tenha sido necessário suporte hospitalar, mantenha-se junto ao paciente até que ele possa ser encaminhado para sua casa.
     

Comentários

Admite-se que a epilepsia é uma doença limitante sob vários aspectos. Entretanto, com o tratamento adequado e a disciplina necessária, é claramente possível para um indivíduo com epilepsia ter uma vida relativamente normal, com acesso a uma rotina saudável, família, lazer e mesmo uma carreira profissional de sucesso em muitos ramos de atuação.

Não é incomum na história da humanidade o relato de grandes nomes que padeciam dessa doença mas não se renderam a ela, tornando-se imortais em seus atos. Portanto, mesmo com epilepsia, é, na maioria dos casos, o paciente que escolhe a felicidade ou a tristeza, o sucesso ou o fracasso, independente do estigma que essa doença traz.

 

Dr. Igor Melo Tavares

Médico Neurologista

CREMEC 14526

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