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Demência Vascular

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17/10/16
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Demência Vascular

Introdução

A Demência Vascular (DV) é melhor entendida como uma síndrome heterogênea em que a causa subjacente é a doença cerebrovascular e sua manifestação final é a demência. Há uma sobreposição considerável entre Doença de Alzheimer (DA) e DV em relação à comorbidade, bem como fatores de risco comuns e até mesmo na patogênese. 

A DV é a segunda forma mais comum de demência depois da DA.

 

Etiologia e Fisiopatologia

Pensa-se em pelo menos três entidades patológicas comuns que possam contribuir substancialmente para a DV:
 

• Infarto de grande artéria;

• Infartos de pequenas artérias ou lacunares;

• Isquemia subcortical crônica.
 

Algumas áreas no cérebro são ditas "estratégicas" por causarem déficits que causam, simulam ou adicionam uma síndrome demencial. 

 

Fatores de Risco  e Condições Relacionadas

Idade é quase que uniformemente encontrado como fator de risco de demência após um AVC. Outros fatores de risco comuns incluem a fibrilação atrial, presença na imagem de doença de substância branca e atrofia cortical (particularmente no lobo temporal), vários eventos clínicos ou lesões na neuroimagem, hipertensão, obesidade, homocisteína ou níveis de lipoproteína de alta densidade e diabetes mellitus. Alguns estudos indicam que o AVC, no hemisfério esquerdo, particularmente aqueles com afasia associada, é um fator de risco. Evidência de comprometimento cognitivo pré mórbido também é um fator de risco, enquanto que a maior escolaridade favoravelmente modifica o risco de declínio cognitivo pós AVC. Infartos cerebrais silenciosos também são um fator de risco para declínio cogntivo subsequente. Como condições relacionadas com DV, temos a angiopatia amilóide, Cadasil e demência mista (DA + DV).

 

Características Clínicas: 

As características são diversas. Possuem dois padrões com características distintas:
 

Síndrome cortical - aqui as características cognitivos são específicas para as áreas afetadas:

• Frontal medial: disfunção executiva, abulia ou apatia; infarto do lobo frontal medial bilateral pode causar mutismo acinético;

• Parietal esquerdo: afasia, apraxia ou agnosia;

• Parietal direita: heminegligência, confusão, agitação, visuoespacial e dificuldade de construção;

• Temporal medial: amnésia anterógrada.
 

Síndrome subcortical – incluem as seguintes caractéristicas:

• Sinais motores focais;

• Presença precoce de perturbações da marcha;

• Histórico de instabilidade e quedas frequentes não provocados;

• Urgência urinária e outros sintomas urinários não explicado por doença urológica;

• Paralisia pseudobulbar;

• Alterações de personalidade e humor, abulia, apatia, depressão, incontinência emocional;

• Transtorno cognitivo caracterizados por um déficit relativamente leve de memória, retardo psicomotor e função executiva anormal.

 

Diagnóstico

Neuroimagem — achados na tomografia computadorizada de crânio e ressonância magnética de crânio.

Achados clínicos— acima descritos

Avaliação neuropsicológica— também pode ajudar a detectar padrões cognitivos sugestivos de certas doenças, tais como DV, DA, doença do corpo de Lewy e demência frontotemporal.

Avaliação para a patologia vascular subjacente - deve ser iniciada uma avaliação para definir o subtipo do AVC e a etiologia.

 

Manejo dos Fatores de Risco

Os pacientes devem ser examinados e tratados para fatores de risco vasculares, especialmente hipertensão. Embora estas medidas sejam mais úteis na prevenção, em vez de melhorar a demência, o AVC recorrente está associado ao maior risco de declínio cognitivo e a demência pós AVC, que está associada a maior mortalidade.

 

Terapias Modificadores da Doença

Os inibidores da acetilcolinesterase (donepezil, rivastigmina e galantamina) e antagonistas do receptor N-metil-D-aspartato (memantina) foram estudadas em pacientes com DV, e são usados, embora os dados sejam limitados. Quanto às outras terapias, ainda não há estudos fortes que indiquem seu uso. Vale a pena citar a importância do tratamento de sintomas comportamentais desses pacientes, que poderemos abordar em outro texto.

 

Prognóstico

A recuperação da função cognitiva perdida após um AVC é improvável. As flutuações nos sintomas, com períodos de melhora, pode ocorrer em alguns indivíduos afetados.

Nas fases terminais de demência, os pacientes e seus cuidadores são confrontados com uma série de necessidades físicas e psicossociais.

 

 

Dra. Luciana Neves

Neurologista do Hospital São Carlos

CREMEC 11.549 – RQE 6720

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